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Jun 30, 2004
Entendendo um pouco "nossas ideologias" com a ajuda de Marx.

         Esse mini-ensaio que vos apresento (caros - ou gratuitos - leitores) é apenas um desabafo híbrido com um certo desejo de esclarecimento em relação ao 'engajamento' de certos pesudo intelectuais de barzinhos que a gente encontra por aí. 
         Há pouco tempo presenciei uma discussão acirrada de alguns 'moleques', que envolvia amgníficos conceitos de como deveria ser ou deixar de ser o mundo... coisas do gênero. O mais interessante, e que de certo modo avivou um lado meu dedicado a observações de cunho antropológico - ou primatológico -  foi a construção discursiva dos integrantes do debate, que integrava opiniões incontestáveis sobre aspectos de nosso quadro social que com certeza tais 'pensadores' ignoravam. Traduzindo: eram um bando de playboyzinhos discutindo o comportamento do povo e sua ignorância, assim como sua relutância em se desenvolver como cidadãos. Com que autoridade estes legítimos representantes da "aristoi", podem  decidir o que é melhor ou não para pessoas que vivem em condições plenamente distantes de suas realidades? Caso estes, nossos intelecuais desinformados, não entendam porquê considero suas opiniões débeis e mal constituídas, recorro a Marx e seu conceito sobre as "ideologias" para explicar.  

         Marx (consto que são minhas as palavras deste mini-ensaio) vê o “despontar das idéias” intimamente ligado às condições sociais em que vive o indivíduo, atendo-o de certo modo a toda uma construção ideológica calcada unicamente na dimensionalidade que tal indivíduo, fruto de tal meio, consegue enxergar. Isso resulta em uma concepção ideológica de mão única, gerada no seio de uma educação específica e produzida, desta forma, de acordo com os parâmetros - de/ e que funcionem para – este meio específico. Ou seja: é uma ideologia de aparências, uma ‘consciência’ invertida, onde pode pressupor-se buscar o ‘melhor’ para a sociedade, quando, na verdade, este melhor o é apenas para alguns que cegamente insistem em acreditar que seu ‘padrão’ consegue dar conta das necessidades de todos.

         Essas ideologias vigoram através da aparência de realidade a que estão submetidos diversos grupos sociais, cada um acreditando ser única e verdadeira a sua razão; portanto, são projetos que, quando muito, acercam-se apenas do superficial e ilusório, desviando-se da verdade (se é que existe uma verdade específica) e permanecendo incapazes de enxergar a essência das relações às quais os homens estão realmente submetidos.

         Alguns exemplos claros e cotidianos disto, para que possamos entender com uma figuração direta, são os chamados punks de boutique (geralmente encontrados nas regiões de alto poder de compra dos centros urbanos), que aparentemente adotam uma ‘cultura’ específica, quando na verdade são apenas rapazes e moças advindos de famílias da classe média (se é que isso ainda existe) que em verdade não entendem sequer a ideologia engajada no movimento original, indo contra os próprios valores que dizem defender ao comprar suas ‘fantasias’ a preços absurdos nas grifes de marca conhecida; ou seja, aliando-se ao maior inimigo de quase todos os movimentos de reação social: o comércio.

         Do mesmo modo vemos todos os dias devotos de Che Guevara que pagam fortunas por camisas com a sua foto estampada (o que com certeza não é de nem de longe o que Che objetivava), ou hippies muito ‘apegados’ as suas roupinhas e apetrechos que normalmente custam os olhos da cara e por aí vai...

         Certamente, a teoria de Marx sobre essas ‘ideologias’ pré-fabricadas não se resume a isto (nem sequer usa estes exemplos que “eu” escolhi), mas estas pequenas mostras, são retratos... ou melhor: caricaturas (não tão engraçadas) de um dos efeitos de concepções ideológicas ilusórias e unicamente estruturadas dentro de universos restritos.

            O pior dos efeitos ocorre quando uma determinada sociedade, engajada em suas ideologias unilaterais, resolve decidir quem deve ou não viver, quem representa ou não perigo para o mundo e acaba, por conseguinte, provocando grandes guerras que, pra variar, provocam a morte, na maioria das vezes, somente de inocentes. Como aconteceu com o nazismo (a grande águia ariana).

Retrocedendo um pouco na história, podemos retornar à égide, também, da águia romana, e hoje em dia temos uma nova águia espraiando por aí, mundo afora, sua concepção, no mínimo hilária, de liberdade.

            Marx alcunha estas ‘ideologias’como nada mais nada menos que uma forma sofisticada e eficiente da classe dominante manter o controle sobre a classe dominada, fazendo com que esta acredite desenvolver idéias genuínas e independentes acerca do mundo, quando realmente, estas idéias estão apoiadas em ilusões de realidade e ajudam o sistema a manter seu pacífico controle sobre as massas.


            Entendido? Pensem bem, caros leitores, (e entendam que este desabafo não foi dirigido à vocês) antes de estabelecerem como verdades divinas seus conceitos, sem se perguntarem se de alguma forma estes não estão atrelados ao meio em que vivem.

Posted at 06:13 pm by Magneto

Diego Aguiar Vieira
July 2, 2004   12:40 AM PDT
 
Ih, o DW comentou aqui!
ouça isto
July 2, 2004   12:01 AM PDT
 
lonely nerds songbox
em www.tramavirtual.com.br
 

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