Estou sentado na varanda, observando as estrelas caírem sobre mim. Passo as mãos sobre meu abdômen, e sinto minhas costelas, praticamente saltando por sob a pele. Estou macérrimo. Até os vinhos estão amaríssimos. Os alimentos acérrimos.
Sinto uma dor gutural, uma vontade de gritar... Minha amada está morta, reclamava de uma dor cardíaca antes de silenciar-se para a eternidade.
Sei que estou fragílimo. Percebo o iminente fim e aplaudo o magnificentíssimo show de luzes, que brota defronte meus olhos, fruto do ego inflado do ser humano.
Uma última dose... Por quê não? Com certeza, não haverá tempo para que o câncer hepático me derrube!
Vejo um sorriso angelical em uma das explosões.
Um sentimento agradável. Estou de volta ao aconchegante e protegido útero, o qual abandonei anos atrás, para me aventurar por esta terra selvagem. Tudo aquilo de que preciso, me é transmitido pelo cordão umbilical.
Diego Aguiar Vieira