Diego Aguiar Vieira
As portas compressoras abrem-se tão facilmente quanto há cento e cinqüenta anos. Se eu fechar bem os olhos, ainda posso me ver manuseando cada um dos bio-circuitos. Mas fechar os olhos agora seria impossível, já que alguém grita em alto e bom som, enquanto bate em meu rosto: “Abra os seus olhos!”
Quando vi as roupas cafonas, o cenário decadente e as gírias de chat, percebi a verdade: eu havia conseguido! Eu estava no futuro!
Toda aquela besteira sobre a crio-gênese ser estupidez... Tudo aquilo, não passava de passado agora. E ainda me cumprimentaram tocando guitarras imaginarias. O primeiro que veio falar comigo apresentou-se como Rufus! Eu comecei a rir, e perguntei se estavam de brincadeira com minha cara. Não, era a mais pura verdade. Eu havia despertado num mundo nerd.
Um mundo nerd onde eles criavam diversos mecanismos de vida cibernética, apenas pra entrar em guerra com eles, e depois assistirem Blade Runner, Exterminador do Futuro, A.I. (uma versão totalmente dirigida por Stanley Kubrick, já que em 2359 eles começaram a ressuscitar as pessoas, e os primeiros foram Kubrick e Raul Seixas – Alan Moore inexplicavelmente continuava vivo, mas numa outra dimensão) e Matrix, e discutiam ferozmente em programas de TV que duravam dias e dias, as repercussões que aquela guerra poderia ter gerado, se eles não tivessem intervindo.
Sucessivos fracassos de criar super-heróis com bombas-gama, aranhas radioativas e acidentes espaciais, deixaram um lado da Lua (o lado Azul, precisamente!) totalmente dominado por aberrações.
Os quadrinhos estavam no ápice de sua popularidade, e já eram tantos, que as crianças os estudavam nas escolas, e nem os professores conseguiam diferenciar mais, o que fora realidade e o que fora apenas ficção (entre os grandes ditadores do século XX, Adrian Veidt era o que mais tinha destaque, seguido de perto por Victor Von Doom e somente lá atrás, figuravam pessoas como Hitler e Mussolini).
Curiosamente ninguém amaldiçoa a história (e a propósito, onde você estiver Alan, você estava errado! Eles nem mesmo se lembram das duas guerras do Golfo! Embora o segundo Bush ainda seja bastante avacalhado por causa dos filmes do Michael Moore, isso ocorre apenas pelo visual nerd de seu xará de sobrenome, pois eles nem entendem mais sobre o que fala os tais filmes do “gordinho da espingarda”!).
Então aqui está tudo bem. Stanley Kubrick, depois de dirigir sua versão para a vida de Napoleão Bonaparte (um fracasso de bilheteria e critica – ninguém entendeu nada! Preferiam assistir Veneer!), optou por morrer e o mesmo fez Raul Seixas, depois que sua (também fracassada) versão de 1984 estreou.
A produção literária é zero, assim como a de quadrinhos, cinema, música e arte em geral. Desistiram inclusive de ressuscitar os grandes gênios da humanidade, já que nenhum deles fez nada que lhes agradasse.
Atualmente, empreendem uma nova tentativa de usar os recursos da tecnologia de ressuscitamento. Já estão por aqui, pessoas como: Rob Liefeld, Steven Spilberg e alguns grupos de axé. Salve o futuro!
“É melhor existir um sentido, qualquer um, do que não existir sentido nenhum.” Friedrich Wilhelm Nietzche
Posted at 09:18 pm by Anti-Monitor