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Aug 15, 2004
A Sete Palmos (13-14/08/04)

Lírios...
Lírio. O que te lembra, os lírios?
Lágrimas.

Close.
Mulher sem maquiagem.
Loira. Pele rosada. Pintas.
Pergunta: Por que as pessoas têm de morrer?
Resposta: Pra que a vida valha a pena.

Fracasso. Medo. solidão.
minúsculo. Maiúsculo.
Vale a pena seguir as regras?
Respire...

Poesia estranha. Do tipo que se faz de madrugada.
Você sabe disso.
Não é? É!
O verso é comprido mesmo. Com ponto no meio.
Não é só estética.
É razão!

- Diego Aguiar Vieira -

Posted at 10:31 pm by Anti-Monitor
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Jul 30, 2004
Tarco Miccia Mallard

 

Diego Aguiar Vieira

 

  As portas compressoras abrem-se tão facilmente quanto há cento e cinqüenta anos. Se eu fechar bem os olhos, ainda posso me ver manuseando cada um dos bio-circuitos. Mas fechar os olhos agora seria impossível, já que alguém grita em alto e bom som, enquanto bate em meu rosto: “Abra os seus olhos!”

  Quando vi as roupas cafonas, o cenário decadente e as gírias de chat, percebi a verdade: eu havia conseguido! Eu estava no futuro!

  Toda aquela besteira sobre a crio-gênese ser estupidez... Tudo aquilo, não passava de passado agora. E ainda me cumprimentaram tocando guitarras imaginarias. O primeiro que veio falar comigo apresentou-se como Rufus! Eu comecei a rir, e perguntei se estavam de brincadeira com minha cara. Não, era a mais pura verdade. Eu havia despertado num mundo nerd.

  Um mundo nerd onde eles criavam diversos mecanismos de vida cibernética, apenas pra entrar em guerra com eles, e depois assistirem Blade Runner, Exterminador do Futuro, A.I. (uma versão totalmente dirigida por Stanley Kubrick, já que em 2359 eles começaram a ressuscitar as pessoas, e os primeiros foram Kubrick e Raul Seixas – Alan Moore inexplicavelmente continuava vivo, mas numa outra dimensão) e Matrix, e discutiam ferozmente em programas de TV que duravam dias e dias, as repercussões que aquela guerra poderia ter gerado, se eles não tivessem intervindo.

  Sucessivos fracassos de criar super-heróis com bombas-gama, aranhas radioativas e acidentes espaciais, deixaram um lado da Lua (o lado Azul, precisamente!) totalmente dominado por aberrações.

  Os quadrinhos estavam no ápice de sua popularidade, e já eram tantos, que as crianças os estudavam nas escolas, e nem os professores conseguiam diferenciar mais, o que fora realidade e o que fora apenas ficção (entre os grandes ditadores do século XX, Adrian Veidt era o que mais tinha destaque, seguido de perto por Victor Von Doom e somente lá atrás, figuravam pessoas como Hitler e Mussolini).

  Curiosamente ninguém amaldiçoa a história (e a propósito, onde você estiver Alan, você estava errado! Eles nem mesmo se lembram das duas guerras do Golfo! Embora o segundo Bush ainda seja bastante avacalhado por causa dos filmes do Michael Moore, isso ocorre apenas pelo visual nerd de seu xará de sobrenome, pois eles nem entendem mais sobre o que fala os tais filmes do “gordinho da espingarda”!).

  Então aqui está tudo bem. Stanley Kubrick, depois de dirigir sua versão para a vida de Napoleão Bonaparte (um fracasso de bilheteria e critica – ninguém entendeu nada! Preferiam assistir Veneer!), optou por morrer e o mesmo fez Raul Seixas, depois que sua (também fracassada) versão de 1984 estreou.

  A produção literária é zero, assim como a de quadrinhos, cinema, música e arte em geral. Desistiram inclusive de ressuscitar os grandes gênios da humanidade, já que nenhum deles fez nada que lhes agradasse.

  Atualmente, empreendem uma nova tentativa de usar os recursos da tecnologia de ressuscitamento. Já estão por aqui, pessoas como: Rob Liefeld, Steven Spilberg e alguns grupos de axé. Salve o futuro!

 

“É melhor existir um sentido, qualquer um, do que não existir sentido nenhum.” Friedrich Wilhelm Nietzche


Posted at 09:18 pm by Anti-Monitor
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Jul 24, 2004
O Roteiro de uma HQ inédita

 

...os Salvadores!

Por: Diego Aguiar Vieira

 

A história apresenta Jesus, Buda e Krishna, porém seus rostos, só são revelados no fim da história (mas isso, não impede, que eles possam ser reconhecidos durante a história, pelo formato do rosto, etc – nessa história, utilizaremos o Jesus convencional, branco com barba e cabelos compridos). Os três estão em um bar, fumando e bebendo, enquanto conversam.

 

Página 1 / 4 linhas / 2 quadros por linha

Quadro 1:

A mão de Jesus, segurando a parte inalante do narguilé.

 

Jesus:

Vamos fazer igual ao Jack, o estripador, por partes.

 

Quadro 2:

Krishna embaralhando as cartas.

 

Krishna:

Deus, ou melhor, os deuses, pois todo mundo já percebeu que não é um, mas sim, vários...

 

Quadro 3:

Buda chamando o garçom com a mão.

 

Buda:

Peraê, começa o raciocínio de novo, porque eu, já não tô entendendo nada!

 

Quadro 4:

Jesus cortando as cartas.

 

Krishna:

Eu quero dizer, que os Deuses, não existem!

 

Quadro 5:

Buda pegando as cartas da mão de Jesus.

 

Buda:

E nós somos o que? -- Buraco, né?

 

Quadro 6:

Buda distribuindo as cartas.

 

Quadro 7:

Krishna pegando as cartas, que Buda está jogando na sua frente (onze ao total).

 

Krishna:

E você sabe jogar outra coisa?

 

Quadro 8:

Krishna abrindo o leque de cartas.

 

Krishna:

Não é nada disso, seu idiota! Nós somos apenas criações! Símbolos! Na verdade, eles - os Deuses, estão condenados a serem todos cúmplices, e desculpas, para guerras e batalhas, e não podem fazer nada! -- Porra, você não sabe embaralhar as cartas, não?

 

Página 2 / 3 linhas / 2 quadros por linha

Quadro 1:

Jesus fumando o narguilé, enquanto o garçom coloca as canecas de chope na mesa.

 

Jesus:

O que realmente importa, é que eles nasceram, não necessariamente como o resto de nós, mas nasceram. Se morrem, eu não sei! Eu por exemplo, fui, voltei, e continuo aí, já faz dois mil anos!

 

Quadro 2:

Buda bebendo chope.

 

Buda:

Esse negocio de morrer, só depende do povo! Há quanto tempo, você não vê a Afrodite e o Hercules, andando por aí? É claro que os deuses foram criados, porra. Só que os desgraçados se esquecem disso, crescem tanto, que acabam esquecendo o objetivo para o qual foram criados, e é isso que fode tudo!

 

Krishna:

Falando em foder... Vocês sabiam que o Hercules pegava a Afrodite?

 

Quadro 3:

Buda colocando a caneca na mesa (vazia), enquanto olha para as cartas na outra mão.

 

Jesus:

Mas eles não era irmãos?

 

Krishna:

Você sabe como esses gregos adoram uma sacanagem!

 

Buda:

BUUUURRRPPP!!! Desculpem-me! Como eu ia dizendo, eles resolveram brincar, com pessoas comuns, cujos bens são esquecidos, em nome de uma falsa vida após a morte.

 

Quadro 4:

Jesus abrindo seu leque de cartas, enquanto com a outra mão, aspira o narguilé.

 

Jesus:

Não é fazendo propaganda negativa, não, porque isso até impede que as pessoas façam um bocado de merda, mas, eu penso que é muito errado, as pessoas serem enganadas, achando que seus atos irão refletir em uma vida pós-morte, quando tais reflexos, na verdade, só ocorrem...

 

Quadro 5:

Krishna olhando com uma cara de fúria, para o leque de cartas, que está segurando.

 

Krishna:

Mas, que merda de jogo! Vamos começar de novo! E pode deixar, que eu embaralho!

 

Quadro 6:

Krishna pegando as cartas que estão na frente de Jesus.

 

Jesus:

... no mundo real, pois não existe vida após a morte.

 

Jesus (em um novo balão):

As pessoas deveriam deixar de fazer algo ruim, não por medo das conseqüências, mas sim, porque é errado!

 

Página 3 / 2 linhas

Linha 1 (ocupa um terço da página) / 2 quadros

Quadro 1:

Buda entregando suas cartas para Krishna.

 

Buda:

Toma as cartas, chato! Olha, pode até não existir vida após a morte, mas existem pessoas que podem se comunicar com o outro lado.

 

Quadro 2:

Krishna embaralhando as cartas.

 

Jesus:

Alguns acham que falam com os mortos. Outros poucos, têm consciência verdadeira, do que estão fazendo. Sabem, que na verdade, não importa se há um outro lado, porque estão presos aqui, como os outros. E também há aqueles, que estão cada vez mais raros. Aqueles, que tem plena consciência de seu posto, e que quando dão as caras, e são acreditados pela população. Esses, mesmo que de forma errônea, são adorados como...

 

Linha 2 (cobre dois terços da página) / 1 quadro

Imagem do quadro:

Jesus (sentado no meio – fumando o narguilé), Buda (do lado esquerdo) e Krishna (do lado direito), sentados em uma mesa redonda de um bar, cheio de anjos, demônios, aliens, deuses, humanos e outros seres (mitológicos, de preferência – duendes, fadas...). Krishna está distribuindo as cartas.

 

Krishna:

Ah, agora sim, dá pra jogar! Acenderam essa porra de luz!

 

Título da história (em baixo da imagem, acima dos créditos):

... os salvadores!

Posted at 10:36 pm by Anti-Monitor
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Jul 15, 2004
PROFESSOR IVAN CARLO LANÇA LIVRO SOBRE METODOLOGIA CIENTÍFICA

O professor Ivan Carlo está lançando o livro Introdução à Metodologia Científica. O livro é editado pelo CEAP e é aconselhado para alunos e professores de cursos de graduação e pós-graduação.
O livro é resultado de anos lecionando a disciplina Métodos e Técnicas de Pesquisa no CEAP e outras instituições. “Como não encontrava todos os assuntos que queria trabalhar com os alunos em um único livro, acabei produzindo uma apostila. Ela começou com 20 páginas e a cada semestre eu a ia melhorando, acrescentando novos itens. No final já tinha cerca de 100 páginas”, explica o professor. “Com o tempo, alunos e outros professores começaram a pedir que eu transformasse a apostila em livro. Daí a idéia da publicação”.
O diferencial do volume é a preocupação com o rigor metodológico aliada a uma linguagem de fácil acesso a alunos de graduação. A disciplina Metodologia Científica e similares é geralmente lecionada nos primeiros semestres, período em que os estudantes ainda não estão preparados para a difícil linguagem utilizada pela maioria das obras sobre o assunto. Assim, a grande preocupação foi ser acessível a esse público-alvo, produzindo um livro que, ao mesmo tempo em que trouxesse informações atualizadas sobre a metodologia científica, fosse uma leitura agradável.
O livro pode ser encontrado nas principais livrarias de Macapá e, para quem não mora na cidade, pode ser pedido pelo e-mail ivancarlo@bno.com.br.

Ivan Carlo também é conhecido como Gian Danton, escritor de quadrinhos nacionais (entre eles, o premiado Manticore, ao lado do desenhista Antonio Eder). Alguns de seus trabalhos podem ser encontrados no site da Nona Arte e no seu blog.

Posted at 04:04 pm by Anti-Monitor
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Jul 7, 2004
Vertigem

 Estou sentado na varanda, observando as estrelas caírem sobre mim. Passo as mãos sobre meu abdômen, e sinto minhas costelas, praticamente saltando por sob a pele. Estou macérrimo. Até os vinhos estão amaríssimos. Os alimentos acérrimos.

 Sinto uma dor gutural, uma vontade de gritar... Minha amada está morta, reclamava de uma dor cardíaca antes de silenciar-se para a eternidade.

 Sei que estou fragílimo. Percebo o iminente fim e aplaudo o magnificentíssimo show de luzes, que brota defronte meus olhos, fruto do ego inflado do ser humano.

 Uma última dose... Por quê não? Com certeza, não haverá tempo para que o câncer hepático me derrube!

 Vejo um sorriso angelical em uma das explosões.

 Um sentimento agradável. Estou de volta ao aconchegante e protegido útero, o qual abandonei anos atrás, para me aventurar por esta terra selvagem. Tudo aquilo de que preciso, me é transmitido pelo cordão umbilical.

 

Diego Aguiar Vieira

 


Posted at 01:36 am by Anti-Monitor
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Jul 3, 2004
As laranjas rolaram pela calçada, mais uma vez



O obituário dessa semana é dedicado aquele, que é para mim, um dos melhores atores do esquemão hollywoodiano (até mesmo, porque sempre fez questão de remar contra a maré nesse, que é o maior dos mercados). Junto a Al Pacino e Robert DeNiro, sempre creditei a Brando o título de um dos três Reis Magos do cinema, na arte de atuar, é claro.
Don Octavio del Flores junta-se agora, ao epitato cultural que ajudou a criar (à sua espera, estão James Dean, Marylin Monroe, Gene Kelly, Stanley Kubrick, Hitchcock e outros mais, todos grandes), com todas as honras merecidas.
Inigualavel, teve êxito desde o primeiro momento, quando despontou em Uma Rua Chamada Pecado, teve seu nome gravado na mente de milhares de adolescentes em O Selvagem, e na mente de todo o mundo em O Poderoso Chefão. Chocou como poucos, em O Último Tango em Paris (a manteiga nunca mais foi a mesma), e ficou rico, com uma participação de dez minutos em Superman, o Filme. Voltou as luzes, com Apocalypse Now e optou por participar cada vez menos, em intervalos cada vez maiores de outros grandes filmes (destacam-se A Ilha do Dr. Moreau e Don Juan de Marco). Seu último filme, foi o policial A Cartada Final, com Robert DeNiro e Edward Norton (que também, é um louvavel ator), onde mais uma vez, provocou polêmica, negando-se a estar no mesmo set, que o diretor Frank OZ (o Yoda de Star Wars).
Brando também dirigiu, uma única vez. A Face Oculta, originalmente, seria dirigida por Stanley Kubrick, mas depois de um ano de interminaveis discussões, Kubrick demitiu-se, e Brando assumiu a direção, que levou mais de um ano (Brando filmava um único plano por dia - o que garantia uma substituição, que só não leva o titulo de perfeita, por eu ser fã ardoroso de Kubrick).
Não teremos mais filmes inéditos, nem mesmo fofocas frescas sobre o ator. Sua longa e memorável carreira, terminou nesta quinta-feira, dia 1º de julho, aos oitenta anos.
Porém, ainda podemos vê-lo, e dessa regalia, eu não desistirei nunca. Longa vida às reprises.
Vá em paz, Vito, Micky, Walter, Jor-el, Elia, Marlon.

Posted at 01:01 am by Anti-Monitor
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Jun 30, 2004
Entendendo um pouco "nossas ideologias" com a ajuda de Marx.

         Esse mini-ensaio que vos apresento (caros - ou gratuitos - leitores) é apenas um desabafo híbrido com um certo desejo de esclarecimento em relação ao 'engajamento' de certos pesudo intelectuais de barzinhos que a gente encontra por aí. 
         Há pouco tempo presenciei uma discussão acirrada de alguns 'moleques', que envolvia amgníficos conceitos de como deveria ser ou deixar de ser o mundo... coisas do gênero. O mais interessante, e que de certo modo avivou um lado meu dedicado a observações de cunho antropológico - ou primatológico -  foi a construção discursiva dos integrantes do debate, que integrava opiniões incontestáveis sobre aspectos de nosso quadro social que com certeza tais 'pensadores' ignoravam. Traduzindo: eram um bando de playboyzinhos discutindo o comportamento do povo e sua ignorância, assim como sua relutância em se desenvolver como cidadãos. Com que autoridade estes legítimos representantes da "aristoi", podem  decidir o que é melhor ou não para pessoas que vivem em condições plenamente distantes de suas realidades? Caso estes, nossos intelecuais desinformados, não entendam porquê considero suas opiniões débeis e mal constituídas, recorro a Marx e seu conceito sobre as "ideologias" para explicar.  

         Marx (consto que são minhas as palavras deste mini-ensaio) vê o “despontar das idéias” intimamente ligado às condições sociais em que vive o indivíduo, atendo-o de certo modo a toda uma construção ideológica calcada unicamente na dimensionalidade que tal indivíduo, fruto de tal meio, consegue enxergar. Isso resulta em uma concepção ideológica de mão única, gerada no seio de uma educação específica e produzida, desta forma, de acordo com os parâmetros - de/ e que funcionem para – este meio específico. Ou seja: é uma ideologia de aparências, uma ‘consciência’ invertida, onde pode pressupor-se buscar o ‘melhor’ para a sociedade, quando, na verdade, este melhor o é apenas para alguns que cegamente insistem em acreditar que seu ‘padrão’ consegue dar conta das necessidades de todos.

         Essas ideologias vigoram através da aparência de realidade a que estão submetidos diversos grupos sociais, cada um acreditando ser única e verdadeira a sua razão; portanto, são projetos que, quando muito, acercam-se apenas do superficial e ilusório, desviando-se da verdade (se é que existe uma verdade específica) e permanecendo incapazes de enxergar a essência das relações às quais os homens estão realmente submetidos.

         Alguns exemplos claros e cotidianos disto, para que possamos entender com uma figuração direta, são os chamados punks de boutique (geralmente encontrados nas regiões de alto poder de compra dos centros urbanos), que aparentemente adotam uma ‘cultura’ específica, quando na verdade são apenas rapazes e moças advindos de famílias da classe média (se é que isso ainda existe) que em verdade não entendem sequer a ideologia engajada no movimento original, indo contra os próprios valores que dizem defender ao comprar suas ‘fantasias’ a preços absurdos nas grifes de marca conhecida; ou seja, aliando-se ao maior inimigo de quase todos os movimentos de reação social: o comércio.

         Do mesmo modo vemos todos os dias devotos de Che Guevara que pagam fortunas por camisas com a sua foto estampada (o que com certeza não é de nem de longe o que Che objetivava), ou hippies muito ‘apegados’ as suas roupinhas e apetrechos que normalmente custam os olhos da cara e por aí vai...

         Certamente, a teoria de Marx sobre essas ‘ideologias’ pré-fabricadas não se resume a isto (nem sequer usa estes exemplos que “eu” escolhi), mas estas pequenas mostras, são retratos... ou melhor: caricaturas (não tão engraçadas) de um dos efeitos de concepções ideológicas ilusórias e unicamente estruturadas dentro de universos restritos.

            O pior dos efeitos ocorre quando uma determinada sociedade, engajada em suas ideologias unilaterais, resolve decidir quem deve ou não viver, quem representa ou não perigo para o mundo e acaba, por conseguinte, provocando grandes guerras que, pra variar, provocam a morte, na maioria das vezes, somente de inocentes. Como aconteceu com o nazismo (a grande águia ariana).

Retrocedendo um pouco na história, podemos retornar à égide, também, da águia romana, e hoje em dia temos uma nova águia espraiando por aí, mundo afora, sua concepção, no mínimo hilária, de liberdade.

            Marx alcunha estas ‘ideologias’como nada mais nada menos que uma forma sofisticada e eficiente da classe dominante manter o controle sobre a classe dominada, fazendo com que esta acredite desenvolver idéias genuínas e independentes acerca do mundo, quando realmente, estas idéias estão apoiadas em ilusões de realidade e ajudam o sistema a manter seu pacífico controle sobre as massas.


            Entendido? Pensem bem, caros leitores, (e entendam que este desabafo não foi dirigido à vocês) antes de estabelecerem como verdades divinas seus conceitos, sem se perguntarem se de alguma forma estes não estão atrelados ao meio em que vivem.

Posted at 06:13 pm by Magneto
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Nona Arte

Creio ser possuidor de uma puta sorte. Tive a oportunidade, de ter minha primeira história em quadrinhos, desenhada pelo premiado Antonio Eder, e a mesma acabou por ser publicada no nº 05 do fanzine Informal, da Editora Nona Arte. Editora esta, que é famosa pela sua ousadia, afinal, não são muitas as editoras pelo mundo, que disponibilizam grande parte de seu material na internet (no site você baixar todas as revistas que quiser, inclusive, as edições impressas!). Fundada pelo André Diniz em 2000, essa é uma das editoras que mais tem crescido no Brasil, e com isso, vem mostrando a que veio (chegou a dividir o HQ Mix do ano passado, de melhor editora, com a gigante, mas também recém-chegada, Panini!), e é com certeza, sinônimo de qualidade e longevidade para o quadrinho nacional atual (e também clássico - afinal, não é só o udigrudi que tá enfurnado lá, também temos trabalhos de grandes mestres do genero - o desenho no banner acima, é de nada mais, nada menos, que Flávio Colin!).
Tenho em mim, que uma das maiores inspirações pra fundação da editora que o Sinister Six, tem como meta se tornar, seja a própria Nona Arte.
Recebi ontem de manhã, a sexta edição do Informal (e ingenuamente, até acredito ser um dos primeiros a recebê-la, pois não me lembro de ter visto sua divulgação), e está, continua, indiscutivelmente, a melhor produção de quadrinhos em fanzine, dos últimos tempos. Concisa, travessa, inteligente... São muitas as qualidades que posso descrever desse novo trabalho editorial dos senhores André Diniz e Antonio Eder, e este é um trabalho que só melhorou, ao evoluir de cada uma das histórias que foram lançadas desde o inicio.
Com a minha puta sorte, espero que eu consiga, junto aos outros cinco porra-loucas que fazem parte desse projeto, conseguir em tão pouco tempo, a notoriedade, a hombridade e o sucesso que a Nona Arte conseguiu, pois este, é um verdadeiro exemplo a se seguir.

Posted at 02:08 am by Anti-Monitor
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Jun 29, 2004
Hannibal



Acabo de assistir ao filme na Tela Quente, na Globo. Já tendo assistindo os dois primeiros filmes com o personagem (Dragão Vermelho de Michael Mann, no qual o bom Doutor é interpretado por Brian Cox e O Silêncio dos Inocentes de Jonatha Demme, já com Hopkins no papel de Lecter), tenho algumas poucas palavras a respeito desse terceiro filme produzido pelo senhor Dino de Laurentiis (uma refilmagem de Dragão Vermelho foi feita, dirigida por Brett Ratner, em 2002, com Hopkins no papel de Lecter, pra fazer uma "trilogia oficial").

Não há muito a se dizer sobre o enredo, pois creio que este pode ser melhor apreciado pelas palavras de um outro critico qualquer, especializado em falar abobrinhas...

Então, parto para o fim:

O final do filme é sujo, só por ser, apesar de ter uma agradavel e paranoica direção (um brinde do Ridley Scott, devo dizer). Com uma direção técnicamente limpa. Ele é produtor do filme, o que garante uma maior liberdade, do que por exemplo, em Gladiador, onde ele era um diretor contratado, mas mesmo assim, é um filme com objetivos claramente comerciais, visando bilheteria. Uma pena, pois chega a caminhar bem (depois de um começo ruim), mas acaba ficando sujo pra chocar (e isso, via de regra, se tornou moda em Hollywood).
É agradavel observar como os atores estão a vontade, durante o majestoso banquete oferecido por Lecter. Ray Liotta está bem, tão bem, quanto de costume, ou seja, o prato de amoras a meu lado, ainda é melhor ator do que ele.
Gary Oldman, irreconhecivel, nem precisava estar ali, pois diferente de trabalhos como o de Danny DeVito em Batman O Retorno, a maquiagem em nada acrescenta, e só prende o ótimo ator.
O melhor do filme, ainda está em seu pré-final (pois a cena final é vergonhosa, devo dizer!), pois é onde a direção tem seu melhor caminho, mesmo com a bizarria descontrolada.



Bem, o melhor de Haniball ainda é o próprio doutor, e Jodie Foster, apesar de fazer falta, é bem substituída por Juliane Moore.




Contudo, o filme ainda é um ótimo passatempo. Se você esquecer do que o original é capaz, pode até alugar os três (ou os quatro!), e ter uma ótima sessão!

"Posso sentir o seu cheiro, Clarice!"






Posted at 03:08 am by Anti-Monitor
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Jun 27, 2004
Eduardo Dusek



Começou a carreira artística como pianista de peças de teatro aos 15 anos, quando estudava na Escola Nacional de Música. Mais tarde passou a compor suas próprias músicas e montou uma banda, que acabou apadrinhada por Gilberto Gil. A partir de 1978 já tinha algumas composições gravadas por nomes de peso da MPB, como As Frenéticas (o samba "Vesúvio"), Ney Matogrosso (o fox "Seu tipo") e Maria Alcina (o frevo "Folia no Matagal", dois anos depois regravada por Ney Matogrosso) - todas em parceria com Luiz Carlos Góes. Suas composições buscavam aliar sátira e bom humor. Em 1980 participou do festival MPB Shell da TV Globo com a debochada música "Nostradamus", que não se classificou mas ficou conhecida pelo público. Por essa época gravou o primeiro LP, "Olhar Brasileiro". Mas o estouro realmente viria em 1982, quando ele flertou com o ainda insipiente pop/rock, no LP "Cantando no Banheiro!, com "Barrados no Baile" (com Luiz Carlos Góes), "Cabelos Negros" (Com Luiz Antonio de Cássio) e "Rock da Cachorra" (Leo Jaime). Dois anos depois, notabilizou-se com o LP "Brega-chique", cuja faixa-título, mais conhecida como "Doméstica", fazia uma sátira social, bem no clima do teatro besteirol da época. Em 86, lançou "Dusek na sua", com "Aventura". Em 1989 voltou à cena com o musical "Loja de Horrores", em que atuava no papel de dentista. Nos anos 90, afastado da mídia, atuou como diretor de shows e, no final da década, voltou a apresentar alguns trabalhos como humorista e cantor, um deles sobre Carmen Miranda.

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Nostradamus
 

Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
com tudo que sei
acendi uma vela
abri a janela, e pasmei
Alguns edifícios explodiam
pessoas corriam
eu disse bom dia
ignoreeei
Telefonei
Prum que tenha a qualquer
e não tinha
Ninguém respondeu, eu
disse Deus, Nostradamus,
força do bem e da maldade
futuro, calamidade, juízo final
Então restou

 
De repente na minha frente
A esquadilha de alumínio
caiu, junto com vidro fume
o que fazer, tudo ruiu
Começou tudo a carcomer
gritei, ninguém ouviu,
e olha que eu ainda fiz psiu!

O dia ficou noite
O sol foi pro alem
Eu preciso de alguém
vou até a cozinha
encontro Carlota, a cozinheira
morta, diante do meu pé, Zé
eu falei, eu gritei, eu imploreei
Levanta
Me serve um café

Posted at 09:37 pm by Anti-Monitor
Comments (2)  

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